Na Semi-Final

Nosso garoto ciclista está de volta, e com o pé no fundo. Foto: www.internacional.com.br
Em uma partida parelha, o Internacional aproveitou a ampla vantagem construída em Canoas e jogou tranquilo em sua imensa casa. Os gols saíram ao natural, em jogadas executadas com precisão e certeza. O time de Canoas entrou em campo determinado a conquistar uma vitória simples, pois ambicionava uma vaga na série C do Brasileiro. E jogou bem. O primeiro gol veio em uma bela jogada, com um cruzamento preciso.
Voltando ao que INTERessa, gostei muito da apresentação do colorado. Agenor se garantiu e atuou com personalidade, chegando a lembrar Renan em algumas saídas. Comprovou o que quem acompanhou a Copinha sabia: é um grande goleiro em formação. Não teve culpa nos gols e quando foi exigido apareceu bem. A atuação de Bustos foi muito boa. Ele vêm em uma crescente interessante, o credenciando para a titularidade na lateral. Gostei mesmo.
A zaga, com Sidnei e Orozco, se portou bem. Algumas falhas, como no segundo gol da Ulbra, mas compensadas com boas intervenções ao longo do jogo. Sidnei quase marca um golaço de bicicleta. Seria antológico.
Guiñazú vêm cada vez mais lembrando (na minha opinião, superando) Tinga. Agora está chegando mais na entrada da área e arriscando chutes. Naquela jogada em que limpou a zaga, goleiro, comissão técnica e torcida, e de virada quase marca um dos mais lindos gols do Gauchão, despertou a memória de todos que viram aquele guerreiro da camisa 7 sair da segunda função do meio e fazer o gol do título da Libertadores da América. Chega a ser repetitivo, mas não tenho como deixar de falar dele. Guina é a referência de TODOS em campo. Até de Fernandão.
Falando em F9, valeu pelo seu gol e pela boa movimentação. Não gostei de ele ter cobrado o pênalti. Por quê não deixou o Alex? Ou melhor, o Nilmar? Tudo bem que ele é o capitão, mas Alex está na briga pela artilharia e Nilmar está voltando de longo período de recuperação. Seria ótimo vê-lo comemorar um gol em seu retorno. Falando nele, entrou muito bem e com muita vontade. A jogada do pênalti foi de uma velocidade e raça impressionantes. Foi espetacular presenciar sua volta com tanta determinação e disposição.
No restante, Alex jogou muito bem, mesmo sendo severamente marcado. Magrão também foi determinante. Fez o gol da vitória e jogou o fino da bola. Iarley foi guerreiro e perigoso. Gosto muito de seu futebol, mas com a volta de Nilmar, provavelmente ele vai deixar o time. Uma pena.
Marcão foi seguro nos desarmes e preciso no apoio. Abel mexeu bem e teve o domínio do jogo na maior parte do tempo.
Enfim, estamos na semi-final e pegamos o Caxias, que ontem venceu o Zequinha por 1 x 0 no Centenário. Vai ser uma dura peleia. Como estou morando em Caxias do Sul, é certa minha presença no Centenário. E como o Ju fez o crime no Porto Alegrense, pode estar se desenhando uma final com gosto de revanche. O tempo dirá.
Um forte abraço aqui do Sul
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Serviço do Jogo
Internacional (3): Agenor; Sidnei, Orozco e Marcão; Bustos (Roger, aos 28min, 2ºt); Wellington Monteiro (Adriano, 38min, 2ºt), Magrão, Alex e Guiñazu; Iarley (Nilmar, aos 19min, 2ºt) e Fernandão.
Ulbra (2): Rafael; Jonathan, Carlinhos, Neyor e Leandro Xavier; Wanderson, Júnior (Edílson), Eder Lazzari (Rodrigo) e Everton Severo; Alexandre e Jacques. Técnico: Beto Almeida.
Gols: Fernandão (I), aos 6min do primeiro tempo, Jaques (U), aos 19min25seg do primeiro tempo, Iarley (I), aos 27min25seg do primeiro tempo, Jaques (U), aos 27min10seg do segundo tempo, Magrão (I), aos 44min25seg do segundo tempo. Cartões amarelos: Rodrigo e Alexandre (U). Arbitragem: Carlos Simon, auxiliado por Alexandre Kleiniche e João Lúcio de Souza Júnior. Público: 21.972 (19.105 pagantes e 11.977 sócios). Renda: R$ 237.496,00. Local: Beira-Rio.
A maior peleia de 2008

Fernandão em ação. Foto: Marcelo Campos/VIPCOMM
Em um campo encharcado, numa típica peleia de Gauchão, o Internacional enfrentou seu maior desafio deste ano. O melhor ataque da competição venceu a melhor defesa. O time do Caxias foi um adversário aguerrido, muito bem postado defensivamente e com uma determinação para a batalha que me impressionou. Abelão não mentia quando ressaltou por várias vezes as qualidades do time da Serra. Todos os jogos que vi da equipe grená me chamaram a atenção pela ótima postura em campo.
Tudo isso serve para engrandecer a ótima vitória conquistada neste domingo. O Internacional teve muito trabalho para vencer a batalha que se deflagrou no meio de campo. Guiñazú foi, outra vez, o maior jogador colorado em campo. Inacreditável a capacidade deste guerreiro. Na minha opinião, é o melhor atleta em atividade no futebol brasileiro, superando até mesmo Alex. Claro que são funções diferentes e qualidades distintas, mas o único diferencial que vejo entre eles é na alta capacidade de fazer gols de Alex. Falando assim, vocês podem ter uma idéia de quanto admiro o futebol deste argentino. Ele é um leão em campo.
O jogo foi muito duro e com muitas faltas, uma delas determinando a expulsão de Marcão, que no primeiro momento foi punido pelas faltas conjuntas, e depois quando fez uma falta dura, pagou caro. Contudo, o Inter não sentiu a diferença de ter um jogador a menos. Abel, o mestre, reposicionou o time trazendo Alex para a esquerda e recompondo a defesa, tornando imperceptível a falta de Marcão.
Essa foi a grande vitória do Internacional. Contornar além de um grande adversário, seus próprios problemas. E a vitória veio no detalhe. No finalzinho. Da maneira mais recompensadora. Foi uma grande partida.
Nilmar mostrou falta de ritmo, contudo isso não é o suficiente para torná-lo menos perigoso. Teve momentos que tinham três e até quatro marcadores cercando-o. Bustos fez uma partida defensivamente perfeita. Parou Aélson. Magrão foi incansável. Fernandão sofreu severa marcação e não conseguiu desenvolver seu futebol de qualidade, prejudicado também pelo gramado pesado. Iarley também sofreu pela marcação. Saiu para que Abel pudesse recompor sua defesa. Titi entrou muito bem e segurou as jogadas pela esquerda do time. Roger substituiu Fernandão e ocupou os espaços na meia cancha.
Porém a melhor entrada foi a de Adriano. Como sempre, perigoso, agudo e muito rápido. Teve muita calma, frieza e qualidade para deixar Alex com a goleira aberta para sacramentar a vitória do Inter em Caxias do Sul.
Nos primeiros 90 minutos adquirimos a vantagem simples contra um ótimo adversário, que se for batido engrandecerá e muito a campanha colorada no certame. Gostei muito do jogo, que foi bem peculiar, bem de Gauchão mesmo. E fiquei muito satisfeito com o desempenho e a vitória. Foi gratificante. Bater uma equipe forte como o Caxias em sua casa e com sua bela torcida não é tarefa nada fácil. E conseguimos. Foi maravilhoso ver a massa colorada invadindo a Serra e transformando o Centenário em um pedacinho do Gigante.
Agora é quarta-feira, contra a boa equipe do Paraná. Espero que F9 se recupere (fiquei muito preocupado com a lesão dele) e volte ao time para essa batalha da Vila Capanema. Vamos precisar de todas as forças para conquistar um bom resultado fora de casa.
Um forte abraço aqui do Sul.
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Serviço do Jogo
Caxias (0): Juninho; Cuca, Marília e Cris (Neilor); Gustavo, Júlio César, Tiago, Terrão e Aelson; Rodrigo (Valdir) e Kempes. Técnico: Gilson Kleina.
Internacional (1): Clemer; Bustos, Índio, Orozco e Marcão; Magrão, Guiñazu, Fernandão (Adriano, 8min2ºt) e Alex; Nilmar (Roger, 18min2ºt) e Iarley (Titi, intervalo). Técnico: Abel Braga.
Gol: Alex (I), aos 47min do segundo tempo. Cartões amarelos: Marcão, Alex , Magrão, Guiñazu (I), Marília, Tiago, Gustavo, Cuca (C). Expulsão: Marcão (I). Arbitragem: Leandro Vuaden, auxiliado por Marcelo Barison e Paulo Ricardo Conceição. Local: Estádio Centenário, em Caxias do Sul.
Mateus Reck é Gaúcho, da bela cidade de Gramado, colorado doente, nascido quase no fim da década vermelha de 70 (1977), onde quem reinava nesse país era o Internacional de Falcão, Don Elias, Carpeggiani e Batista. Tinha grande inveja dos colorados que acompanharam a década vermelha, mas hoje se orgulha de fazer parte da geração que ajudou o Inter a conquistar o Mundo. Seus grandes ídolos de infância foram Nílson, Amarildo, Taffarel e Luis Carlos Winck. Hoje, se sente privilegiado de ir ao Beira-Rio e ver Fernandão, Clemer e Iarley envergarem o manto vermelho sagrado. Trabalha com Telefonia IP e Tecnologia de Informação.